Cruzeiro Velho, testemunho amigo,
Falei contigo quantas vezes dela!
Mas te guardaste deste meu segredo
Talvez com medo de comprometê-la.
Agora chega de calar-te, e fala
Que foi de amá-la que estraguei a vida.
Cruzeiro velho, quantas noites vinha
Contar-te a minha solidão sofrida.
Mornos domingos de fagueiros papos,
De cujos trapos vou-me consumindo!
Cruzeiro velho, é melhor calar-te:
Calar faz parte desse tempo lindo.
Guarda os tesouros de tudo que viste,
De alegre e triste que esta vida é assim.
Não contes nada, meu cruzeiro velho,
Borra o espelho do que vês em mim.
Francisco de Assis
Ipu-CE
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sexta-feira, 6 de março de 2015
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
QUERO-TE CADA VEZ MAIS, OH! MEU AMOR!
Os acordes de um violão enchiam de harmonia o nosso querido quadro da Igrejinha. Sobre o tapete e matizado do gramado, sentávamos em círculo para o deleite daqueles momentos de poesia. A Igrejinha, fazendo parte do cenário, tudo ouvia e tudo abençoava. O velho tamarindeiro esvoaçava sua folhagem como se aplaudisse aqueles furtivos encontros de adolescentes apaixonados. Quero-te cada vez mais oh, meu amor!
A lua, como sempre, banhava de luar prateado toda a amplidão. Da majestosa Serra da Ibiapaba, vinha o bafejo serrano para acariciar o nosso rosto.
A cascata feiticeira se balançava de um lado ao outro do talhado exibindo o seu véu de noiva, de leve tecido pelas ninfas da noite.
Com cheiro de juventude, com alma de boêmia, com coração de estudante apaixonado, todo o nosso Quadro da Igrejinha parecia um ambiente de contos de fada.
Por entre as folhagens das árvores, o luar era coado e as réstias dançavam conforme o impulso do vento nos galhos viçosos e verdejantes.
E o violão enchia os ares das noites de notas românticas parecendo um lamento de paixão, um apelo para o amor.
Quero-te cada vez mais, Quadro dos meus amores, palcos das minhas quimeras, dos meus sonhos e de minhas primeiras ilusões. Contigo eu idealizei e realizei. E é por isso que te digo mil vezes: quero-te cada vez mais, oh! Meu amor.
Maria do Socorro Melo Lima.
Francisco de Assis
Ipu - CE
domingo, 8 de junho de 2014
Bar Cruzeiro
Bar Cruzeiro, inaugurado no dia 20 de dezembro de 1942. Era de propriedade de Pedro César Tavares. Recebeu este nome, quando foi mudado o valor monetário do País de REIS PARA CRUZEIRO.
Existiam várias atrações como: uma Orquestra formada por dois cantores, o Pé de Cera de Sobral e Wilson Lopes aqui do Ipu. Formava ainda a famosa orquestra do Bar Cruzeiro, José Peba no Pistom, Pedro do João Paulo - Trombone de Vara, José Romão - Trombone de Tecla, Cirineu - Saxofone, Sitônio Moreno - Baterista, João Abílio - Banjo (com caixa de harmonia), José Ribeiro da Silva – Clarinetista, estava assim composta à orquestra do nosso saudoso Bar Cruzeiro.
Funcionava uma amplificadora com uma programação de músicas em gravações variadas com o famoso Disco de Cera que cobria parte da cidade.
Eram funcionários do “Chique” Bar: Antonio Pedro Cordeiro (Parnaibano), Hermínio Fedô, Luiz Bentivi, José de Araújo Martins (José Margarida), Joaquim Albano, Cândido Torres e Jose Bezerra da Silva.
Um acontecimento digno de destaque foi quando da passagem do candidato a Governador do Estado aqui em Ipu do Desembargador Faustino de Albuquerque, recepcionado por autoridades locais no Bar Cruzeiro, com um almoço constando de 100 talheres.
Algumas pessoas que estiveram recepcionando, o futuro governador foram os Udenistas: Abdoral Timbó, Abdias Martins, Joaquim de Oliveira Lima, José Oscar Coelho, Antonio Pereira Martins, Pedro Raimundo de Oliveira, Zeferino de Castro, Antonio Martins de Mesquita, José Joca Martins, João Camelo de Paiva, Francisco Martins de Pinho, Pedro Camelo da Silva, Gonçalo Francisco da Chagas, Manoel Bezerra, Sebastião Pedro, João Bandeira de Sousa, Pepeu Martins e outros tantos.
Durantes os festejos de São Sebastião era o ponto de encontro de todos ipuenses, para saborear a variedade enorme de comestíveis e tomar aquela cervejinha bem geladinha.
O Bar Cruzeiro foi uma iniciativa de Pedro Tavares que procurou a qualquer custo manter para sociedade ipuense um local aprazível e benfazejo. Produzia uma variedade enorme de guloseimas que eram oferecidas a sua clientela.
Zezé do Vale em feliz momento de inspiração compôs a marchinha em homenagem ao grande BAR:
Vejamos:
Moeda nova é centavoMoeda nova é cruzeiroPorque é que o bar de Pedro TavaresNão é também dinheiro...Tem bons cigarros,E boas cervejas,Se o freguês não acreditaFaz favor entrar e vejaTem doces muitos doces,Que se topam muito bemAqui no Bar CruzeiroSó falta o que não tem.
É isso, e por muito mais isso, foi assim o Bar Cruzeiro.
Francisco de Assis
Ipu - CE
terça-feira, 20 de maio de 2014
Estrela Dalva
Ei-la que surge límpida e serena
A estrela da manhã, célere avança.
Na azulada amplidão tranqüila e mansa
Banhando a Terra em claridade amena
Como este astro gentil, que nos acena,
Sois para nós, ó virgem de Bonança,
Quando perdida temos a esperança
Nos duros transes da mansão terrena;
Pois, se da vida na falaz viagem.
Fitamos nos perigos vossa imagem,
Toda nossa alma exulta e se ilumina;
E da Morte na última agonia
Ainda a luz de vosso olhar nos guia,
Resplandecente estrela matutina.
Francisco de Assis
Sois para nós, ó virgem de Bonança,
Quando perdida temos a esperança
Nos duros transes da mansão terrena;
Pois, se da vida na falaz viagem.
Fitamos nos perigos vossa imagem,
Toda nossa alma exulta e se ilumina;
E da Morte na última agonia
Ainda a luz de vosso olhar nos guia,
Resplandecente estrela matutina.
Francisco de Assis
terça-feira, 29 de abril de 2014
Mortal
Não existem razões para tristezas,
Porque entre erros a que tive direito,
Sou um comum mortal.
Tive meus recreios de alegria,
Minhas planícies de buscas,
Meus bosques escondidos de felicidade.
Fiz a minha parte.
No picadeiro fui palhaço,
Mas também dei cá,
As minhas gargalhadas na platéia.
Tenho procurado continuar contando
As minhas estrelas da minha calçada,
Para dar a vida
Até quando puder olhar lá de cima,
Aquilo que fiz um dia cá
Embaixo.
Francisco de Assis
Ipu - CE
Porque entre erros a que tive direito,
Sou um comum mortal.
Tive meus recreios de alegria,
Minhas planícies de buscas,
Meus bosques escondidos de felicidade.
Fiz a minha parte.
No picadeiro fui palhaço,
Mas também dei cá,
As minhas gargalhadas na platéia.
Tenho procurado continuar contando
As minhas estrelas da minha calçada,
Para dar a vida
Até quando puder olhar lá de cima,
Aquilo que fiz um dia cá
Embaixo.
Francisco de Assis
Ipu - CE
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